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Barbarella Poker entrevista Alê Braga

17/6/2011 16:05:04

Barbarella Poker entrevista Alê Braga / CardPlayerBrasil.com

Alessandra Braga é um dos ícones femininos do poker brasileiro e, quando se senta à mesa, não fica devendo nada a ninguém – não importa se o adversário é homem ou mulher, jovem ou idoso, tight ou loose.


Em parceria com a CardPlayer Brasil, Khatlen Guse, a @KhatyRS, do Barbarella Poker, realizou uma entrevista com essa super jogadora. Sempre esbanjando simpatia, Alê, que é um exemplo dentro e fora das mesas, falou um pouco sobre sua vida, seus planos e, é claro, sobre poker.

 

Alê, conte-nos um pouco do seu início no poker.
Eu tive o primeiro contato com o poker em Las Vegas, com meu marido (Sérgio Braga). Ele já jogava aquele poker fechado e, quando fomos para Vegas, estava começando a febre do Texas Hold’em. Estava acontecendo um torneio no MGM e o Sérgio quis ver como era, e eu o incentivei a jogar. Aí veio o floor do cassino e colocou uma cadeira para eu me sentar atrás dele, mas eu não entendia nada. Quando chegamos ao hotel, ele começou a me explicar como funcionava – aí eu me apaixonei.


Em 2009, você conseguiu seu primeiro resultado expressivo, em um evento do Venetian. Você poderia fala sobre isso?

 

Você, hoje, já tem uma enorme bagagem em torneios, tanto em eventos nacionais quanto em internacionais. Como é (ou como foi) seu treinamento?
Eu procuro me preparar bastante para os torneios. Quando você se prepara, o jogo acaba fluindo melhor. Sérgio é uma pessoa muito disciplinada e estudiosa. Ele já me passou muita coisa. Eu também já percebi que a minha forma de aprender é participando de cursos. Já estive nas três edições do Super Poker Training, onde meu marido é professor. Fiz também o Poker Pro on the Road, com André Akkari e Leandro “Amarula”, e amei. Eu gosto disso. Acho melhor do que ficar só por conta de um livro e depois ficar imaginando situações.

 

E por que live?
Pelo contato que eu tenho com as pessoas, eu gosto mais de jogar ao vivo do que na internet. Eu sou capaz de ficar 14, 15, 16 horas sentada, jogando, e fico bem. Na internet, eu preciso me policiar para não perder para paciência. E ao vivo, às vezes só de ficar observando, eu consigo extrair mais informações – coisa que a gente não tem no online, que é mais mecânico, mais frio. E por mais que você aprenda, a mulher tem um feeling mais apurado, um tipo de sexto sentido. Eu já fiz alguns calls no live que tecnicamente não pareciam ser a melhor decisão, mas de alguma maneira eu sabia que estava ganhando a mão. E às vezes isso é chato. Não tem como você explicar para o jogador, “eu paguei porque meu feeling me mandou pagar”. Se meus professores ouvirem isso, eles vão me bater (risos).


Agora, fora dessa parte técnica do jogo, você tem alguma mania ou superstição quando está jogando?
Tenho sim. Em torneios live, eu não gosto de ninguém atrás de mim, e se a pessoa estiver com os braços cruzados então, aí eu quebro (risos). E também não gosto de me sentar de costas para a porta do salão onde está ocorrendo o evento.


Mas tem gente que não se importa. No PCA, por exemplo, eu tive a oportunidade de ver Phil Ivey jogando. Eu perguntei a ele se havia problema de eu ficar ali observando. Ele falou que não, e eu tive a chance de assisti-lo.

 

E quanto a itens como peças de vestuário, por exemplo, para jogar live? Existe alguma coisa essencial?
Gosto muito de ter meu protetor de cartas. Eu realmente o uso com a intenção de proteger minhas cartas. É inclusive um protetor que eu ganhei no Venetian. Eu tenho vários, mas esse é o que mais uso, e nunca deixo de levá-lo. No começo, eu ficava muita insegura para blefar, então eu também não saía sem meus óculos e sem meu boné verdinho. Hoje, eu já jogo sem o boné, mas os óculos e o protetor sempre estão lá.

 

Você foi uma das primeiras mulheres com presença marcante nas mesas. Erroneamente, o poker já foi visto como um esporte masculino. Hoje, essa mentalidade mudou bastante. O que você poderia nos dizer sobre isso?

 

 

Você teria algum conselho ou alguma dica para as mulheres que jogam?
Eu acho que para mulheres que jogam poker, o livro de Annie Duke (Como ganhei milhões jogando poker na WSOP) é fundamental. Em alguns momentos do jogo, principalmente para quem está começando, você vai se encontrar em algumas situações que ela cita e, portanto, saberá lidar com isso. No livro, você vai conhecer a Annie Duke mulher, esposa, mãe e, é claro, jogadora. Esse livro é uma leitura importantíssima para qualquer mulher, porque é a visão feminina em uma mesa de poker.

 

Então seria bom que os homens também lessem, para compartilhar dessa visão feminina...
Com certeza. Inclusive, um jogador que fala muito bem dessa visão é Daniel Negreanu. Quem quiser ler no blog dele, verá que ele fala disso com brilhantismo. Sérgio e eu achamos Daniel fantástico.

 

Estamos na época do ano mais aguardada pelos amantes do poker, a época da WSOP. Você irá engatar em algum evento por lá? (Quando a entrevista foi feita, ela ainda não havia embarcado).

 

E em relação aos patrocínios para jogar todos esses torneios, qual a sua opinião?
Hoje, eu sou uma pessoa bem tranquila em relação a isso. Dentro do bankroll e do suporte que Sérgio – meu patrocinador oficial – me oferece, eu posso jogar os torneios que realmente gostaria de jogar. Posso jogar LAPTs, vou jogar a WSOP (mesmo que eu não ganhe satélite). E cash game que ele organiza durante a semana, às vezes há pessoas que investem em cotas de torneios mais caros para eu jogar. Eu acredito que um patrocínio é muito bacana quando lhe dá essas oportunidades, quando lhe abre as portas. Eu, por exemplo, até agostaria de jogar mais torneios, mas tenho que selecionar dentro do que é possível. Em relação ao patrocínio para as jogadoras do Brasil, eu não sei como está o mercado atual, mas se pintar alguma coisa que lhe dê a oportunidade de jogar, eu acho bem bacana. Jogar e aprender, já que você estará do lado de pessoas maravilhosas, que com certeza trarão muito evolução para o seu jogo.

 

E quanto às modalidades que você joga? Ano passado você foi vice-campeã de Omaha em um evento paralelo do BSOP. Você tem saído um pouco do hold’em?
Bom, Sérgio já me explicou todas as modalidades e eu já treinei algumas na internet. Mas eu realmente gosto muito de Omaha. Nesse jogo que ele faz com os amigos, a modalidade é Omaha. Quando faltava alguém, eles pediam para Sérgio me levar e completar a mesa. Então, eu comecei a jogar com eles. Comecei a me aprofundar. E com um especialista em casa (porque Sérgio joga muito bem), foi bem mais fácil. Por gostar muito de Omaha, quando tenho oportunidade de jogar, eu jogo.

O problema do evento do BSOP é que ele ocorre no dia em que eu jogo o evento principal, durante o sábado. Eu não gosto de jogar na sexta porque preciso dormir. Mas, naquele dia, eu já tinha jogado na sexta-feira e estava naquilo de “jogo ou não jogo?”. Sérgio falou para eu jogar, mas estava muito frio. Acabou que depois de tomar uma taça de vinho, eu me animei. A gente acabou fazendo um acordo, (Bento) Sato e eu. Aí encerramos ali mesmo. Para mim, foi como um título.

 

E o cash game, não lhe atrai?
Eu gosto muito de cash. Na verdade, eu comecei jogando nas mesas de cash. Às vezes, eu deixava até jogar algum torneio para ficar no cash. Sempre joguei o arroz com feijão e, graças a Deus, foram poucas as vezes que não saí no lucro.

Tem até uma história curiosa de um jogador, o Vitão (da TV Poker Pro). Ele é um excelente jogador, mas muito preguiçoso (risos). Ele só joga quando chega fatura do cartão. Então, se você vir Vitão jogando, pode saber que é a fatura do cartão que chegou.

 

 

Saindo um pouco do poker, você poderia falar sobre a sua rotina fora dos feltros?
Sérgio é agente de um escritor chamado James Hunter (autor do livro “O Monge e o Executivo”). A gente cuida dessa empresa, que gerencia a carreira dele, e que é em casa, somos só nós dois. Quando James vem ao Brasil, há uma equipe para os eventos – palestras que ele realiza para empresas. O resto é bem tranquilo também. Sérgio e eu gostamos de viajar, de ir ao cinema, de nos desligar do mundo do poker de vez em quando. Até porque nós somos muito parecidos.

 

Você é uma pessoa que gosta de fazer compras?

 

Alê, em nome do Barbarella Poker e da CardPlayer Brasil, eu queria lhe agradecer pela entrevista.
Eu que agradeço. Quem quiser comentar alguma coisa, quiser dicas, conversar, eu vou ficar super feliz, é só me chamar lá no Twitter @Ale_Braga.

 

ACESSE O SITE DA BARBARELLA POKER - clique aqui




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