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O poker vai ao divã
Veja como evitar o tilt com o psicólogo Daniel DeBrule
30/7/2012 13:15:05

O professor Daniel DeBrule

O professor Daniel DeBrule, da Universidade de Indiana, leciona psicologia clínica durante o período letivo. Após o término das aulas, ele troca o campus pelos feltros, e ministra um curso sobre o poker.

Nos últimos anos, DeBrule vem compartilhando conhecimentos psicológicos aplicados ao poker para grupos de universitários, em um curso chamado “Poker: conceitos comportamentais, clínicos, cognitivos e sociais". Mas não foram apenas os estudantes que passaram por lá, os jogadores Steve Albini, Brandon Shack-Harris, Chris Grohman e Jason DeWitt também foram beber dessa fonte.

O jornalista da Card Player, Brian Pempus entrevistou o professor DeBrule. Confira como foi o bate-papo entre os dois:

Um dos motivos que as pessoas decidem se dedicar ao poker é porque não querem um trabalho de 40 horas semanais. Como você enxerga isso?

Esse fato sugere que os jogadores que optam pelo poker valorizam muito sua autonomia. Muitos deles buscam emoções e também novas experiências na vida. Eles gostam de viajar e de se desafiarem.

De algum modo, trabalhar 40 horas por semana é algo monótono porque, a princípio, o funcionário está fazendo a mesma tarefa sempre. Ainda que esse fato também seja recorrente no poker, um jogador pode participar de várias modalidades diferentes dentro do mesmo jogo.  

Uma das máximas do poker é, “não se deixe levar pelos resultados”. É difícil assimilar isso?

Isso é especialmente problemático para os jogadores que não tem muito equilíbrio emocional. O problema diminui quando o jogador passa um tempo fora das mesas e pensa sobre as suas ações. Não deixar se levar pelos resultados requer muita experiência. Quem lida melhor com isso são aquelas pessoas que, por sua personalidade, tem um componente lógico mais predominante que o emocional ou o sensível.

Fale sobre a superstição no poker.

Superstição é o resultado de um traço da personalidade. Você também pode associar com o estilo de jogo. Pessoas supersticiosas geralmente são introvertidas. Esses comportamentos causam a ilusão de que você tem controle do que vai acontecer, ilusão muito perigosa se você levar as coisas longe demais.

Como os momentos ruins afetam o humor dos jogadores?

Eu sou um psicólogo clínico e tenho clientes em terapia toda semana, sabendo como as pessoas reagem a resultados negativos e erros, a resposta típica é entrar em uma espiral descendente. Os pensamentos estão se tornando mais negativos e começam a se multiplicar. Os jogadorem ficam frustrados nas mesas, o que faz com que os seus adversários atuem de forma agressiva.

Às vezes parece que alguns jogadores ficam mais tímidos depois de uma série de bad beats, como se suspeitassem que as coisas vão continuar saindo errado.  Como não se sentir intimidado quando a sorte não aparece?

O que acontece é que eles começam a ser menos agressivos e tem aversão ao risco. A exceção é o jogador que vai em tilt. Aqui é onde a psicologia se torna extremamente valiosa para um jogador de poker, porque sabemos de uma série de técnicas e abordagens que podem realmente ajudar, mesmo se eles têm sérias dificuldades em manter o controle nas mesas.

Por exemplo, muitos golfistas têm psicólogos do esporte. Já os jogadores de poker contratam um treinador motivacional. Um psicólogo pode ser realmente útil para ajudar a evitar o tilt.

É muito comum ver os jogadores usando um iPhone ou iPad para passar o tempo enquanto esperam a próxima mão. Parece que tem a ver com o ritmo dos jogos ao vivo, especialmente para os jogadores que vêm da Internet. O que você acha da necessidade dessa atividade constante?

Isso na psicologia se encaixa em um dos conceitos que são usados na terapia atualmente, o julgamento de "atenção plena". Se os jogadores não conseguem manter toda a concentração na mesa, eles não podem ver os “tells”, observar os padrões, ou pensar em como eles estão jogando. E o que é pior, eles não estão disfrutando da experiência. 

A "atenção plena" é um conceito que tentamos passar para muitos jogadores, independente de onde eles estejam jogando.

Este problema é muito mais comum com as pessoas jovens. Geralmente, se um jogador é incapaz de tirar os fones e prestar atenção no que acontece, pode ser um sinal de que ele não está concentrado ou que não tem paciência o suficiente. Se sabemos valorizar o que estamos fazendo no momento, podemos deixar o resto de lado.

Você acredita que alguém com experiência de multi-table online pode ter dificuldade ao jogar os eventos ao vivo?

Claro. É por isso que alguns sentem a necessidade de permanecerem ativos o tempo todo. A este respeito, a conduta tem muito valor. Alguns se destacaram nos feltros virtuais por conseguirem jogar muitas mesas de forma simultânea. Sua conduta acaba se reforçando. É como os animais ou qualquer outro ser vivo, eles tentam recriar esse ambiente de sucesso em todos os outros lugares.



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