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Fernando “Xuxa” Scherer - Medalhista Olímpico é o Mais Novo Profissional do Betmotion

O poker é o mais novo esporte de Fernando “Xuxa” Scherer, ex-nadador, campeão mundial e das Américas, medalhista olímpico. O Betmotion, um dos sites que mais investe no Brasil, contratou Scherer para seu time de profissionais, que já conta com Alessandra Braga e Leandro Brasa.


Marcelo Souza
Não é novidade para ninguém que o poker vem ganhando mais e mais adeptos a cada dia. Dentro das mesas ou fora, esse esporte mental atrai pessoas de todos os tipos, não importando credo, raça ou gênero.
 
No entanto, quando uma pessoa pública, um ídolo, aparece nos feltros, a repercussão é sempre grande. É assim quando a voz do UFC, Bruce Buffer, joga a WSOP, é assim quando Gustavo Kuerten joga o BSOP. E o que dizer quando uma lenda do esporte, alguém que já gravou seu nome na história do esporte, assina um contrato para ser profissional de um site? 
 
O poker é o mais novo esporte de Fernando “Xuxa” Scherer, ex-nadador, campeão mundial e das Américas, medalhista olímpico. O Betmotion, um dos sites que mais investe no Brasil, contratou Scherer para seu time de profissionais, que já conta com Alessandra Braga e Leandro Brasa.
 
Xuxa conheceu o poker via outro ídolo do esporte, Ronaldo “Fenômeno”. Em 2012, convidado pelo ex-jogador para um home-game semanal na sua casa, foi amor “ao primeiro par de Ases”. Pouco depois, veio o convite para disputar o Torneio das Estrelas, em que terminou em terceiro lugar e ganhou o buy-in para o BSOP Millions 2012. 
 
A partir dali, surgiu uma amizade com o casal Alessandra e Sérgio Braga. Com eles, principalmente com Sérgio, vieram os primeiros conhecimentos técnicos. Posição, tamanho de apostas, metagame etc. Era o que faltava para o poker entrar de vez na vida do ex-nadador.
 
Em parceria com a PokerLab, a Card Player Brasil realizou uma entrevista exclusiva com o mais novo profissional do poker brasileiro. 
 
Card Player: Para começar, Alessandra Braga e Sérgio Braga.
 
FS: A minha relação com a Alê e com o Sérgio, primeiro, é de carinho, amizade e muita admiração. Os dois tiveram paciência suficiente para me ensinar, conversar, discutir as mãos, coisas que eles, talvez, já estão cansados de fazer no dia a dia. Acontece algo na mesa, eu já ligo pro Sérgio ou para a Alê, discuto a relação das cartas, valores das apostas e fico aprendendo a cada mão, pois cada uma tem uma dinâmica diferente. Aí tem que explicar para eles a posição, o nível do torneio etc. E eles estão sempre dispostos a isso. Acabo aprendendo bastante, mas para eles deve ser muito cansativo. Então é uma relação muito boa, de aluno e professores, de pessoas experientes que estão me ensinando bastante.
 
CP: E sobre o Betmotion?
 
FS: Ter conhecido o pessoal do Betmotion, os donos, no Uruguai, foi uma experiência muito gostosa. Depois também conheci os funcionários e envolvidos na criação do site, de desenvolvimento dos produtos. Você passa a conhecer realmente como são formados os sites, o que está por trás e como é sério o jogo online. Isso lhe dá cada vez mais confiança para jogar na internet. Será uma prazer representar uma empresa tão séria.
 
CP: Você já esteve dos dois lados. Então, qual a relação entre o esporte físico e mental?
 
FS: Está no fato de você ter que ter um pouco mais de estrutura mental, de suportar o jogo a longo prazo. No poker, em um torneio, o erro não vai fazer tanta diferença, mas depois de dez horas jogando, cansado, dando fold, você recebe mãos marginais que começam a parecer atraentes. Você se envolve em um grande pote e, por cansaço ou distração, seu torneio vai por água abaixo. Então é nesse momento que o mental vai contar muito, até o físico, porque é importante você estar condicionado, chegar no final da noite e não cometer um erro e colocar todo o torneio em risco. O físico conta, mas o mental, no final, é o que vai fazer a diferença.
 
 
CP: Então é mais fácil nadar uma prova de 50 metros do que jogar um torneio de poker?
 
FS: Eu brinco que prefiro a prova de 50m. Você já sabe o que vai acontecer em poucos segundos. No poker, você joga, joga, joga, faz tudo direitinho e aí chega no final, cai. No começo do poker foi muito difícil para mim entender que um torneio é um jogo de sobrevivência e que você não poder querer vencê-lo logo na primeira mão. Eu era muito explosivo. Então eu apostava e pagava muito com quaisquer cartas, para acabar logo, sabe? Só que isso não acontece. Esse é o segredo do poker. Tenho que lidar com as minhas emoções, e isso tem sido um bom aprendizado pessoal.
 
CP: Quais seus objetivo no poker, principalmente agora sendo um Betmotion Pro?
 
FS: A minha missão será completada passo a passo. Não posso querer ganhar uma WSOP ainda. Primeiro eu preciso começar a jogar bem, fazer uma mesa final no BSOP, independentemente disso, é pegar um field grande, de 1.500 pessoas, e conseguir chegar à mesa final. E se você vai ou não ganhar um torneio, aí depende muito das variáveis. Mas chegar numa mesa final já é um objetivo para o ano que vem. E daqui a três, quatro anos, se eu continuar estudando e sentir que eu tenho disposição para ficar ali, por 12 horas, quatro dias, sentado e querendo levar mais a sério ainda, dá para pensar em bracelete da WSOP. Na natação, eu não cheguei em uma Olimpíada sem ganhar um estadual, um brasileiro, um mundial. Tenho que ir devagar.  Já me anima ganhar o home-game dos amigos. Pouco antes do BSOP Million, ganhei um torneio que deu um carro, já pagou as minhas contas no poker. A princípio, o objetivo no poker é não perder muito dinheiro (risos) e me divertir, claro. Mas melhorar passo a passo, no dia a dia.
 
CP: Como as pessoas lhe veem na mesa? Por você ser oriundo de outro esporte e por não depender do poker, você acha que há um estereótipo de “jogador ruim”?
 
FS: Depende de como eu me mostrar na mesa. Mas por ser o “Xuxa”, eu sei que as pessoas vão prestar mais atenção em mim. Por ser uma pessoa pública, a minha figura fica muito marcada. Por exemplo, tem jogadores que eu joguei no BSOP e que, daqui a alguns meses, eu não vou lembrar como eles jogam, mas eu sou o “Xuxa”, o novo cara do Betmotion, e as pessoas vão me marcar. Eu não sei se elas têm a referência se eu jogo bem ou mal, mas se me visarem na mesa, ótimo. Quando querem lhe derrubar, você toma alguns calls, no mínimo, estranhos. Então não tenho a preocupação de como eles me veem, eu gostaria até que me vissem como um péssimo jogador, como um cara que não estuda e que não está nem aí para o poker, e que paguem meu all-in sempre quando eu estiver com jogo (risos).
 
CP: O Betmotion é famoso por ser um dos principais incentivadores do poker feminino no Brasil. Uma das iniciativas do site é o time de mulheres, apadrinhado pela própria Alessandra Braga. Como você enxerga o cenário do poker para as mulheres, inclusive rankings e torneios especiais para as mesmas?
 
FS: Acho que ter um ranking, ter um campeonato e ter um time só de mulheres é sempre positivo. Porque o que você quer é fazer as mulheres entenderem que o poker é um esporte, que pode ser jogado de igual para igual por qualquer pessoa. Mas muitas mulheres não jogam porque, às vezes, os maridos não querem que elas participem de um torneio normal, pois o poker é muito masculino na mesa. Então, se a mulher começa em um torneio feminino, e ela ganha esse torneio, ganha um dinheirinho, eu lhe garanto que, na próxima, o marido vai falar: “Joga o BSOP e ganha um milhão, por favor” (risos). Acho que, primeiro, o homem tem que entender que é um esporte para todo mundo. Aqui não importa tamanho ou força, é a mente e a tranquilidade. A verdade é que as mulheres têm um longo caminho no poker, para vencer competições como BSOP e WSOP. Quero dizer, é questão de matemática, o volume de mulheres, comparando com o de homens, que jogam esses torneios ainda é muito pequeno, então a chance de ter mais homens em destaque é muito maior. Mas acho que se os homens, namorados, maridos, entenderem que na mesa está todo mundo jogando e que não é lugar pra xaveco e cantada, e darem um incentivo a elas, já será um grande passo. 
 
CP: Em quem você se espelha no poker mundial?
 
FS: Eu não tenho tanto conhecimento do poker a nível internacional. Mas um cara que adoro é Phil Ivey. O poder de observação dele é impressionante. É lógico que eu nunca vou conseguir chegar no patamar dele ou do Daniel Negreanu. São pessoa extremamente frias, analíticas, que entendem o jogo e deixam o emocional de lado. Eu ainda sou muito emotivo.
 
CP: E no Brasil?
 
FS: No Brasil, são vários, Akkari, Brasa, Sérgio etc. Eu gosto da pessoa que leva o jogo a sério, mas que ao mesmo tempo leva na esportiva e na humildade. Joguei com o Leonardo “Toddasso”, no BSOP de Florianópolis, e ele me derrubou. É um cara que ganhou minha admiração. Joga muito, e ao mesmo tempo é muito simpático. Depois que ele me eliminou, a gente riu, brincou, zoamos um com a cara do outro no Twitter. Mas se alguém se porta de maneira desrespeitosa, ele pode ganhar todos os torneios do mundo, mas não terá a minha admiração. Por exemplo, o Phil Hellmuth. Joga muito, mas não sabe respeitar o adversário. Não me interessa como o cara paga. Pagou? Ganhou? Parabéns! Ele está lá com o dinheiro dele, quem sou eu para criticá-lo? Mesmo que eu ache que a jogada foi ruim, eu não vou falar na mesa. Arrogância não tem espaço em lugar nenhum.
 
CP: Qual a relação humana no poker e na natação? É muito diferente?
 
FS: Por incrível que pareça, é a mesma. No BSOP Millions, até brinquei na mesa. Um menino veio me pedir uma foto e eu falei: “Você quer tirar a foto? Então bate agora, não vamos bater depois que você tomar as minhas fichas” (risos). Na natação era exatamente a mesma coisa. Em 1995, eu fui nadar com Tom Jager [dois ouros olímpicos, aposentou-se em 1996], no Pan, 50 metros. Eu estava na raia quatro; ele, na cinco. Eu estava com o melhor tempo e ele com o segundo. Pensei: “Vou pedir um autógrafo para o cara, mas depois da prova. Antes da prova, não”. Porque eu estava diante de um recordista mundial. Se eu entrasse ali e mostrasse fraqueza, eu estava morto. Ganhei. No pódio, eu pensei novamente: “E agora? Como eu peço esse autógrafo?” Mas aí eu fui todo humilde e expliquei que eu queria aquilo não pelo momento, mas para guardar uma recordação dele. E até hoje tenho a toquinha do Brasil assinada pelo Jager. Em 2005, aconteceu o oposto. Na época, eu com 34 anos. Me senti velho. Aí um menino de 18 anos, ranqueado melhor do que eu, me pede uma foto. Eu falo: “Só um minuto que eu arranjo alguém pra bater”, e pedi ao meu técnico, e falei, “de um, eu ganho”. O que que aconteceu? Eu cresci pra ganhar dele. Não me senti velho, eu me motivei para nadar mais forte e acabei ficando em terceiro. Na natação, tem esse momento psicológico que antecede a prova. Um adversário olhando para o outro e intimidando os mais novos. Assim como no poker, na natação você pode ganhar explorando o lado psicológico.
 
CP: Agora, como profissional do Betmotion, qual o planejamento para torneios em 2014?
 
FS: Para os torneios deste ano, já tenho alguns eventos pré-selecionados, principalmente os BSOPs, mas aí depende da minha agenda, do meu trabalho na Record, que é prioridade. Se os eventos não casarem com um compromisso de trabalho, vou a todas as etapas possíveis do Campeonato Brasileiro, mas não tenho a obrigação participar. Sei que quanto mais eu jogar, mais eu vou aprender.
 
CP: Para finalizar, você já provou o que tinha para provar nas piscinas. E agora, no poker? O que podemos esperar do “Xuxa”?
 
FS: Essa é uma diferença que eu vejo aqui, no poker: eu não tenho que provar nada. Se eu ganhar uma WSOP ou BSOP, com todo respeito, eu ainda acho que vai ser pouco por tudo que eu fiz na minha carreira de nadador. Eu sou muito realizado como nadador. Se eu chegar a ganhar uma WSOP, no futuro, definitivamente, será por mérito. Mas se eu ganhasse hoje, não seria, pois eu teria que ter muita sorte. Eu não tenho todos esses anos de sacrifício pra ganhar. Daqui a dez anos, pode ser diferente. Na natação, eram 12 horas de treino, todo dia. Abria mão da minha família, alimentação, horas de sono. Tudo regrado, para ganhar uma medalha e estar entre os melhores do mundo. Então, quando entro numa mesa, não vou estar preocupado se vai aparecer meu nome como ganhador ou se o cara vai falar que eu joguei bem. Estou aqui, no poker, para crescer. Ainda sou um novato, querendo aprender com todos. Meu ego não entra na mesa. Inclusive, li um livro que fala exatamente isso: “O ego você deixa na porta”. Aqui, querendo ou não, às vezes, quem define é o baralho, o river. Aí não interessa se você estava ou não à frente, se você estava fazendo a melhor jogada. Por isso o poker é o que é, pegar um par de Ases não é garantia de nada, se fosse, era um jogo de sorte. E se fosse igual o xadrez, o melhor sempre iria vencer e a gente já saberia quem seria o campeão. O poker é um jogo de informações incompletas, que você não controla todas as variáveis. Eu não sei por que as pessoas têm todo esse ego à mesa, no final, o poder não está 100% na sua mão. Então, tem que jogar o jogo pelo jogo, não para provar nada a ninguém. 
 
 
 
PRINCIPAIS RESULTADOS NA NATAÇÃO
Olímpiada Mundial Pan-americano Universíadas
Ouro 4 7 2
Prata 1 2 1
Bronze 2 1 1
TOTAL 2 6 10 3
 



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